NISE DA SILVEIRA, uma psiquiatra rebelde



 


“Nise da Silveira: uma psiquiatra rebelde”, de Ferreira Gullar. Editora Relume Dumará, 1996. Coleção Perfis do Rio.


Falar da alagoana Nise da Silveira (1905-1999) é falar, sim, de rebeldia. Sua decisão pelo curso de Medicina, ainda que fosse a única mulher da turma, foi apenas o primeiro sinal do que estaria disposta a enfrentar.  Outro sinal evidente foi a negação em aplicar choques elétricos em doentes mentais em crise quando a prática incluía, além desse procedimento, choques insulínicos e lobotomia. Nise foi presa injustamente durante a ditadura Vargas, enfrentou o sistema psiquiátrico carioca, buscou e obteve orientação com o suíço Carl Gustav Jung. Enfim, implantou e garantiu a permanência (na maioria do tempo precária) da expressão artística como forma de terapia; criou no Rio de Janeiro o Museu de Imagens do Inconsciente, que até hoje fomenta e preserva a produção de obras de arte nas mais diversas linguagens; idealizou a Casa das Palmeiras, espaço intermediário entre o hospital psiquiátrico e a casa.


Se vivesse em nosso tempo, Nise da Silveira teria muito que enfrentar e a contribuir para as mais diversas frentes. A causa LGBTQIA+, certamente, seria uma delas, se pensarmos, por exemplo, que a transição de gênero até bem pouco tempo era considerada como transtorno mental. 


Conhecer a biografia dessa psiquiatra, seus escritos, bem como a proposta de criação artística como meio de entrar em contato com conteúdos internos, elaborá-los e expressá-los, aproximando-se, assim, do equilíbrio, foi fundamental para o projeto Manto da Transição.


Se quiserem conhecer a biografia, acessem o audiolivro aqui: canal @partilhasliterarias do Youtube.




Adélia Nicolete

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